Dr.
Divertido não é o oposto de sério. Divertido é o inverso de chato. Aprendi essa lição com um menino de cabelos brancos. Dr. Eduardo (o terceiro, da direita pra esquerda) é daqueles chefes que nunca nos abandonam. A cada nova oportunidade profissional, eu anseio por reencontrá-lo em outras pessoas.
Enquanto alguns chefes buscam a obediência dos funcionários disseminando medo, Dr. Eduardo solidificava sua liderança despertando admiração. E leveza. A mesma boca que citava clássicos da literatura também contava as piadas mais infames.
Um ser único que ansiava pela pluralidade. Administradores, cientistas sociais, advogados e jornalistas. Todos os saberes cabiam em sua equipe. Estagiários lideravam projetos com profissionais com doutorado. Pessoas oriundas do interior dialogavam com estrangeiros. Mulheres lideravam homens. Ateus compartilhavam a paz com devotos.
A equipe se espalhou pelo mundo, mas a turma nunca se desfez. No lugar em que todos se sentiam em casa, conheci pessoas que frequentam meu lar. Fui a muitos casamentos. Conheci os filhos dos filhos.
Ao final do ano, nos reuníamos na casa do Dr. Eduardo. Ele habitava a rua do pai. O homem que abriu portas pela primeira vez para tantas pessoas como eu, fechou o escritório. Eu era uma criança quando lá cheguei. Graças ao Dr. Eduardo, saí do mesmo jeito.
PS1 - Na sequência, uma foto que não tem o Dr. Eduardo, mas é a cara dele. Nela, há minha querida marmota, um advogado muito sério chamado Risada, o mais jovem poeta premiado do Ceará e tantos outros. A minha turma só se formou porque Dr. Eduardo acolhia a todos em seu grupo. E não tenha dúvida, ele era o mais jovem entre nós.
PS2– Em Fortaleza-CE, uma lei estipula que, se você criar uma rua, pode escolher o nome. Dr. Eduardo criou uma rua e batizou-a com o nome do pai.
Ele está puído. Há rasgos por todos os lados. O tom branco já o abandonou há anos. Ainda assim, costumo iniciar e concluir jornadas com esse all star. Com ele, caminhei rumo ao imenso agora de uma noite. Com ele, dancei sem me movimentar em um instante solar.
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O primeiro dia na primeira graduação. Um até logo sentado numa carteira para canhoto. A mesma trilha, um novo caminho. Mestrado.
Dei passos para trás para seguir em frente. Uma nova história, a mesma trajetória. Uma graduação desconhecida.
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Compartilhamos o ritmo, mas cada um dançou de forma singular. Por um momento, participamos da mesma festa. A partir de agora, caminharemos até descalços. Somos dançarinos, nunca abandonaremos o baile.
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Fomos a primeira dupla a apresentar o TCC de fonoaudiologia. Assim que a sala foi aberta, este gato indicou o caminho, sendo o primeiro a entrar. Ao final, já no corredor, nos reencontramos. O gato de Alice me sorriu apontando: siga dançando, há muitos lugares fantásticos que se revelarão pista de dança.
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Aquele garoto seguirá seus passos de all star. Agora de calça caqui.
Feliz aniversário, meu eterno amigo! Ontem, passei na Praia de Iracema, o nosso espaço, e nos encontrei. Com você, descobri minha essência, ser um alien. Com você, descobri a beleza de compartilhar a nave. Hoje, assim como ontem, eu olho para o céu noturno e te encontro. Mas saiba, a saudade de voar com você… não cabe no espaço! (em Praia De Iracema)
#tbt: todo lugar é uma pista de dança: carnaval em pernambuco, lollapalooza, pedra de santo antônio e outro carnaval inesquecível. ps - tenho esse all star até hoje. https://www.instagram.com/p/CV32Jx6r1ws/?utm_medium=tumblr
“Dragão tatuado no braço. ” [Lollapalooza, SP] *** Amo praia e mato, mas não dispenso o ambiente urbano. Adoro a diversidade que a urbe oferece. Entre tantas selvas de pedra, SP reina absoluta. Lembro a primeira vez que visitei SP. Cheguei numa sexta. Não esqueço porque abri o jornal e havia um suplemento semanal com mais de 100 páginas de atrações artísticas. 100 PÁGINAS! Eu precisaria de uma vida inteira para aproveitar uma semana típica de SP. A diversidade de opções culturais foi um choque para alguém como eu, que respira arte, mas o impacto maior foi ver a convivência de tipos humanos tão diversos .Em SP… Cabelos coloridos, piercings múltiplos e tatuagens reveladas por camisas rasgadas de bandas de rock. Cabelo cortado, barba feita no dia e terno sóbrio. Poderiam ser estranhos no metrô. Amigos num show. Ou um casal de mãos dadas no cinema. Em SP, as singularidades se multiplicam. Inclusive, internamente. Cidades pequenas oferecem aconchego, mas nem sempre contemplam toda a multiplicidade do eu. Quando não exploramos nossas possibilidades, nos tornamos paisagens sem mapas. Sempre me senti deslocado por ser “diferente”. Em SP, eu nunca me senti só. SP reconhece mesmo aqueles que não se conhecem: a multidão nos abraça. SP nos ensina a ser grande.
